*Josemar Santana
(Senhor Do Bonfim, Bahia, 22 de novembro de 2020)
Durante os últimos três meses vivenciamos de modo bem acentuado os movimentos da campanha eleitoral em favor de candidatos que escolhemos e preferimos, por acreditar em suas propostas, ou porque aceitaram as nossas sugestões, complementando as suas propostas.
Tivemos a fase de prĆ©-campanha, iniciada oficialmente em janeiro deste ano e que durou atĆ© as convenƧƵes realizadas no perĆodo de 31 de agosto a 16 de setembro, perĆodo alterado pela Emenda Constitucional 107/2020, que alterou as datas das EleiƧƵes Municipais para 15 de novembro em 1Āŗ Turno e 29 de novembro em 2Āŗ Turno, vindo em seguida a fase de registro de candidaturas, com algumas impugnaƧƵes, atĆ© chegar a fase de campanha propriamente dita, que durou atĆ© 14 de novembro para o 1Āŗ Turno.
Finalmente, chegou 15/11, o dia da Eleição em 1Āŗ Turno, que elegeu Prefeitos, Vice-Prefeitos e Vereadores da quase totalidade dos 5.470 municĆpios brasileiros, ficando para o 2Āŗ Turno 57 municĆpios para definir a eleição de seus prefeitos e vices, o que representa 60% do total de 95 municĆpios onde havia a possibilidade de uma segunda rodada de votação neste ano, valendo ressaltar que dos 57 municĆpios onde haverĆ” 2Āŗ Turno, 18 sĆ£o capitais, estando na dependĆŖncia de decisĆ£o da JustiƧa Eleitoral, as EleiƧƵes dos municĆpios de Duque de Caxias e Volta Redonda, ambos do Rio de Janeiro, cujos candidatos eleitos em 1Āŗ Turno receberam mais de 50% dos votos vĆ”lidos, mas estĆ£o com suas candidaturas impugnadas, em fase de recurso.
Encerradas as votações no dia 15 de novembro, logo nas primeiras horas da noite ficamos conhecendo a maioria dos eleitos, o que proporcionou muita festa, muita comemoração por parte dos vitoriosos e seus eleitores e muita tristeza, muito choro e lamentação por parte dos candidatos derrotados e seus seguidores.
Institutos de pesquisas saĆram fortalecidos pelo acerto de suas sondagens, que nĆ£o foram manipuladas para atrair eleitores que votam em quem vai ganhar, enquanto outros, por aceitarem manipulaƧƵes saĆram da campanha desmoralizados, tendo ainda, alguns desses institutos, por retratarem a verdade das intenƧƵes de votos, nem tiveram suas pesquisas registradas pelos seus contratantes, o que levou a seus contratantes, em desvantagem, a se utilizarem de “FAKE NEWS”, divulgando dados que lhes interessavam, por meio de boatos e atĆ© zombando dos adversĆ”rios, com a divulgação de seus nĆŗmeros fictĆcios.
Mas as urnas são implacÔveis e quando são apuradas falam a verdade do que expressou cada cidadão eleitor, sozinho com sua consciência na cabine de votação, exceto naquelas situações onde a corrupção pela compra de votos ou outras ilegalidades é cometida, mascarando o resultado que a maioria dos eleitores quis.
Refletindo sobre as eleiƧƵes e suas decisƵes me fez lembrar do exercĆcio da profissĆ£o de jornalista, quando trabalhava para o Jornal da Bahia, de Salvador, e fui designado pelo editor-chefe para ir Ć Juazeiro (Bahia), na semana da eleição de prefeito, do ano de 1976, quando dois candidatos disputavam o cargo de Prefeito daquele municĆpio.
De um lado, o empresÔrio Francisco Etelvir Dantas, muito rico, dono de vÔrios empreendimentos, inclusive dea Rede de Supermercados Pinguim, e do outro lado, o pequeno comerciante Arnaldo Vieira do Nascimento, homem de pouca instrução formal e de limitadas posses financeiras, se comparado a Etelvir.
O empresĆ”rio Etelvir abriu os cofres de suas empresas e distribuiu benesses Ć vontade, na tentativa de atrair eleitores, enquanto Arnaldo se empenhava em visitas e comĆcios, atraindo cada vez mais eleitores, fato que chamou a atenção do Jornal da Bahia, que me enviou Ć Juazeiro para entrevistar os dois candidatos.
Ambos demonstravam otimismo no resultado da eleição.
Mas atĆ© hoje guardo comigo a lição simples e de profundo saber filosófico, que me passou o Sr. Arnaldo, homem de pouca instrução formal, o que conhecemos hoje por “analfabeto funcional”.
Ao lhe perguntar qual era a fórmula encontrada por ele para contar com a preferĆŖncia ampla do eleitorado de Juazeiro, Arnaldo disse: “Meu filho, QUANDO O POVO QUER, Ć A MESMA COISA DE QUANDO O POVO NĆO QUER”.
Simples assim.
*Josemar Santana Ć© jornalista e advogado, especializado em Direito PĆŗblico, Direito Eleitoral, Direito Criminal, Procuradoria JurĆdica, integrante do Escritório Santana Advocacia, com unidades em Senhor do Bonfim (Ba) e Salvador (Ba). Site: www.santanaadv.com / E-mail: josemarsantana@santanaadv.com

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